Turismo e Observação de Aves

Por Maria Antonietta Castro Pivatto

Palestra “Turismo e Observação de Aves”, apresentada no Seminário Sul-Matogrossense de Turismo de Natureza, pela Faculdade Estácio de Sá, Campo Grande, MS, em 08 de junho de 2003. Elaborado com base nas bibliografias listadas no final do texto.

INTRODUÇÃO

Ornitologia é a parte da ciência biológica que estuda as aves e, ornitólogo, é a pessoa versada ou que estuda ornitologia. Esta prática é tão antiga quanto a terra e remonta a era primitiva quando os homens das cavernas riscavam nas rochas e nos paredões, traços rupestres de animais e aves que eles viam, observavam e caçavam. Na própria Bíblia Sagrada encontramos relatos de avistagens de aves por Abraão, Moisés, Jó, Salomão, Davi, Amós e até de Cristo. (1)

Dentre os animais, as aves são os mais facilmente reconhecidos pois são bastante comuns e, na sua maioria, ativas durante o dia (Storer et al., 1995), podendo ser encontradas nos ambientes mais variados, inclusive próximos a residências e centros urbanos (Andrade, 1997a). Transmitem bem-estar e harmonia com seus cantos melodiosos e plumagem exuberante, sendo um elemento a mais nas diferentes paisagens onde são encontradas (ANDRADE, 1997b). Isto faz com que a observação de aves seja uma atividade prazerosa e muito importante para conhecermos sua biologia, comportamento e ecologia (Andrade, 1997a; Frish, 1981). (2)

O Brasil possui cerca de 1700 espécies de aves (1696, de acordo com CBRO), pertencentes a 86 famílias e 23 ordens, ou seja, 55% das 2645 espécies de aves da América do Sul. Destas, cerca de 143 espécies são migratórias (Sick, 1997), e seu estudo é de grande importância para a conservação das áreas por onde passam e para sua própria conservação (Andrade, 1997b).

O interesse crescente na observação da vida silvestre chama atenção para um crescente hiato contínuo, ou a diferença entre valores fundamentais e sensibilidades, entre aqueles que vêem a vida silvestre como um recurso a ser explorado e aqueles que compartilham da retomada de consciência de ter os animais selvagens como co-habitantes num planeta frágil. O interesse na observação pode também refletir uma nova área de exploração para a curiosidade humana. Neste milênio, os objetivos exploratórios foram geográficos – e as feras ou árvores estranhas encontradas pelo caminho eram consideradas mais como curiosidades. Hoje, as metas de exploração estão cada vez mais dirigidas ao conhecimento da natureza do mundo que conquistamos. Os mistérios geográficos cederam lugar a outros, ecológicos e biológicos. A observação apurada da vida silvestre levou à percepção que muitos animais possuem níveis surpreendentes de inteligência e organização social, e que muitas plantas também desempenham importantes papéis ecológicos. Numa era de dominação humana perigosamente insustentável, é de grande interesse verificar que muitos dos animais que consideramos como inferiores a nós, na realidade prosperaram por milhões de anos antes de nós e comprovaram suas aptidões de adaptabilidade e sobrevivência. Sejam quais forem nossas razões para observar, estamos hoje menos propensos a ignorar a vida silvestre. (3)

De qualquer modo, sabemos que em níveis econômicos, étnicos e regionais, as pessoas parecem ser universalmente atraídas pela natureza – seja na forma de um pássaro voando, uma grande onda ou o esplendor da folhagem de outono. Para muitos, basta só um pouco de inspiração, talvez um passeio pela natureza organizado por um professor ou naturalista, para atraí-los. Uma vez fisgados, alguns observadores entusiastas de pássaros e borboletas pesquisam e rastreiam sua presa quase como se realizassem caçadas rituais, não letais. Qualquer que seja a inspiração inicial, a maioria dos observadores da vida silvestre sentem necessidade de saber mais sobre os animais ou plantas que amam. (3)

O QUE É OBSERVAÇÃO DE AVES

A observação de aves, ou birdwatching, é um dos maiores segmentos do ecoturismo voltado para a conservação. Envolve milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente no Hemisfério Norte. Nenhum outro grupo de animal silvestre exerce maior atração sobre as pessoas, para sua simples contemplação. Certamente algumas qualidades notáveis das aves são responsáveis por isto, como sua capacidade de vôo, invejada pelo homem por centenas de anos, seu colorido, muitas vezes impossível de ser retratado numa pintura, já que algumas cores são decorrentes de iridescências devidas à própria estrutura das penas, seu canto, melodioso e agradável ao ouvido humano. Além disto, a grande conspicuidade das aves, podendo ser vistas voando a grandes alturas ou sobrevoando ondas em alto mar, nos desertos mais áridos e no inóspito inverno antártico. Ah, certamente, nos jardins e quintais de nossas casas! Mais qualidades? Sim, a inofensividade das aves, sabendo-se que agridem o ser humano somente quando este tenta aproximar-se de ninhos de corujas ou falconiformes (águias, gaviões e falcões), no alto de alguma árvore. (4)

Podemos considerar que os primeiros “birdwatchers” foram os aristocratas ingleses, que no século XVIII, saíam para observar aves em suas propriedades. Em 1789 o religioso inglês Gilbert White publica o livro “Natural History of Selborne”, com anotações sobre o comportamento de algumas aves, e isto influenciou os nobres ingleses a iniciarem esta atividade. (5)

Em 1873 é criada o “Nuttall Ornithological Club” nos Estados Unidos, mas as viagens organizadas para tal tiveram início na década de 40 do século XX, quando a Audubon Society iniciou um movimento para conservação das aves. Vários hotéis nas margens dos lagos foram procurados para observação de aves, com atividades guiadas por guarda-parques e guias especializados. (5)

Observar aves é diversão em meio à natureza, porque estimula o interesse pela procura de aves. Isto garante satisfação e relaxamento, sem ferir e sem capturá-las, que podem fugir incólumes. Caminhando, subindo ou descendo morros observando, se adquire resistência física, sem esforço, porque a atenção está nas aves. A atividade provê integração da família, pois, freqüentemente, pais, filhos e parentes próximos mantêm-se unidos por gerações, através deste hábito. Os mais velhos podem incentivar e estimular aos mais jovens a se interessarem pela vida silvestre e pela conservação da natureza e prover-lhes oportunidade de fazerem algo por elas. (1)


O OBSERVADOR DE AVES (BIRDWATCHER - BIRDER)

A prática da observação de aves é mais antiga e muito mais intensa em países do hemisfério norte. Estima-se que nos Estados Unidos existam em torno de 70 milhões de pessoas que se dedicam de alguma forma ao birdwatching, um quarto da população do país (4). Segundo a American Birding Association, a maioria dos observadores dos EUA são homens (65%), brancos (98%) e com alto grau de escolaridade (42,5% fez faculdade ou outra especialização). A média de idade é de 53 anos. Eles praticam o esporte no país, mas 63,4% fazem 11 ou mais viagens por ano que incluem a atividade. (6)

Nos dias atuais, observar aves é a atividade que mais cresce na América. Estes adeptos viajam cerca de 3.000 milhas por ano, a vários países com o fim de observar e conhecer a fauna de aves destes lugares. Seus adeptos formam uma grande rede de voluntários que presta inestimável serviço à ciência, nestes países, participando ativamente de iniciativas e de programas conservacionistas. (1)

A observação da vida silvestre tornou-se também popular em outras regiões do mundo. Em 1994, um relatório do governo australiano demonstrou que 53 % de australianos adultos planejaram realizar excursões centradas na natureza no ano seguinte. E de acordo com uma pesquisa conduzida pela Real Sociedade para a Proteção das Aves (RSPB), mais de 1 milhão de pessoas na Grã Bretanha, num total de cerca de 59 milhões, são birders regulares. "A observação de pássaros neste país é o terceiro lazer mais adotado, perdendo somente para a pesca e o golfe", diz Graham Madge, porta-voz da RSPB. Madge acrescenta que um interesse em pássaros muitos vezes evolui para interesses mais amplos em borboletas, pequenos mamíferos e flores silvestres que compartilhem o mesmo habitat. (3)

Um evento promovido anualmente pela Audubon Society, o Christmas Bird Count (http://birdsource.orb/cbc/) ou Contagem de Aves no Natal, mobiliza milhares de participantes. Neste evento, iniciado em 1900, cada equipe de observadores escolhe um dia no período compreendido entre uma semana antes a uma semana depois do Natal e neste dia realizam observações exaustivas das aves existentes em determinada localidade. Os dados dos observadores são compilados e divulgados pela Audubon Society. Outro evento, promovido pela BirdLife International, uma entidade mundial de preservação das aves sediada na Inglaterra, a Contagem Mundial das Aves, ou World Bird Count, é realizado anualmente no mês de outubro, desde 1993, e tem mobilizado nos últimos anos próximo de 200.000 participantes de mais de 90 países. Nos últimos anos têm sido vistas mais de 5000 espécies de aves, portanto mais da metade da avifauna conhecida hoje no mundo, próximo de 9.700. (4)

No Brasil, os observadores de aves são poucos e menos organizados (6). Praticada principalmente por especialistas ou estudantes, também é feita por leigos interessados em admirar e conhecer mais sobre as espécies. Em 1974 foi criado o Clube de Observadores de Aves (COA), com cerca de 1.200 sócios e Núcleos em vários Estados, com pessoas interessadas na observação de aves em seu ambiente natural, em estudos e pesquisas (2). Nos últimos anos, com o aumento da divulgação de nossas riquezas naturais pela mídia a partir da Eco 92, a observação de aves vem gradualmente despertando interesse a cada ano, tendo sido destaque recentemente em programas televisivos e artigos de revistas de grande repercussão nacional (Globo Repórter, Revista Veja). Diversas páginas na internet abordam o assunto, inclusive com salas de discussão.

O principal destino procurado no Brasil é o Pantanal, e os mericanos representam a maior parte dos estrangeiros que visitam esta região. São grupos geralmente experientes, que já conheceram países como Costa Rica, Indonésia e alguns na África, os mais visitados para a prática. Eles vêm ao Brasil procurar aves diferentes para suas coleções, pois costumam anotar todos os pássaros avistados. (6)

Uma prática de observação "caseira" das aves é o wildlife gardening, chamada em nosso meio de "atração de aves" ou "jardim ecológico", que consiste em instalar nos jardins e quintais, comedouros com alimentos para aves, bebedouros com água açucarada para beija-flores, fontes diversas de água, como bacias, pequenos lagos e caixas que servem de locais para as aves fazerem ninhos. Além disto, o plantio de espécies vegetais atrativas para aves. Em países como os Estados Unidos e Inglaterra esta prática motivou o surgimento de um rendoso mercado, estimando-se que os americanos gastem com alimentos para aves em seus jardins milhões de dólares anuais. (4)

Existe todo um mercado específico voltado a este público, geralmente de bom poder aquisitivo. É possível encontrar produtos como livros, equipamentos (binóculos, gravadores, câmeras, vestimenta), guias especializados, agências, operadoras e meios de hospedagem que desenvolvem trabalhos voltados exclusivamente ao birdwatching.


O POTENCIAL ECONÔMICO DO BIRDWATCHING

Embora o impacto econômico total das atividades relacionadas com a vida silvestre não possa sempre ser facilmente quantificado, um estudo do Departamento do Interior e Comércio dos Estados Unidos "National Survey of Fishing, Hunting, and Wildlife-associated Recreation" [Levantamento Nacional da Pesca, Caça e Lazer Associado à Vida Silvestre] sugere que observar animais tornou-se mais do que uma indústria informal. Entre 1991 e 1996 as despesas com excursões de observação da vida silvestre aumentaram em 21 %. Homens e mulheres participaram igualmente nessas atividades. Em 1996, de acordo com o estudo, 77 milhões de adultos, cerca de 40 % da população adulta dos Estados Unidos – participaram em alguma forma de lazer relacionado com a vida silvestre. Suas atividades geraram US$ 100 bilhões em vendas de equipamento, transporte, licenças, hospedagem, alimentação e outras despesas relacionadas com seus interesses ao ar livre. (3)

Naturalmente, esses valores incluem aqueles para os quais o lazer relacionado à vida silvestre significa caçar ou pescar, e uma boa parte desses US$ 100 bilhões foram gastos em armas, balas e atrações. Mas mesmo que aqueles que observam a vida silvestre estejam dispersos, ainda assim os valores chegam a 63 milhões de pessoas que geram US$ 29 bilhões. (3)

Como exemplo, pode-se citar o valor do único casal de juruviaras, que habitaram o Refúgio Nacional de Vida Silvestre Laguna Atascosa, no sul do México por vários anos no início da década de 1990. Essas aves canoras geraram cerca de US$ 150.000 por ano para os negociantes locais, vizinhos ao refúgio. A cerca de três horas de carro ao norte, 200 grús americanos atraem anualmente US$ 1,2 milhões em turismo para a pequena cidade de Rockport. Os grús chegam à costa central do Texas todo outono, após o acasalamento no Parque Nacional Wood Buffalo, do Canadá. A maioria dos grús passam o inverno no vizinho Refúgio Nacional Aransas. Os visitantes de Rockport podem comprar entradas para passeios de barco que os levam pelos locais onde os pássaros podem ser vistos pescando caranguejos, peixes e rãs na água rasa. Rio Grande abaixo, o Refúgio de Vida Silvestre Santa Ana atrai 100.000 birders por ano que contribuem com cerca de $14 milhões para a economia local. (3)

DESENVOLVENDO O ECOTURISMO

A maior parte da atenção da mídia sobre a observação da vida silvestre, enfocou o ecoturismo, principalmente por ser onde se concentra a maior parte do dinheiro. Com o turismo em expansão em todo o mundo, repórteres e investidores estão ansiosos para saber o que, exatamente, as pessoas procuram em suas viagens. Se eles preferirem uma passagem de barco para observar o grú americano em lugar de um passeio num parque temático, este é um tipo de informação significativa. (3)

Enquanto os observadores da vida silvestre de quintal recebem menos atenção da mídia do que os ecoturistas, muitos deles – além de expandirem suas atenções para projetos comunitários – acabarão se tornando ecoturistas. Em 1998, o turismo mundial como um todo gerou cerca de US$ 441 bilhões, de acordo com a World Tourism Organization, sediada na Espanha. (3)

É grande o bastante para influenciar decisões críticas em países biologicamente ricos, mas escasso em recursos financeiros. Um exemplo de destaque é a Costa Rica, pouco conhecida como destino turístico há duas ou três décadas. Porém, à medida que o mundo tomou conhecimento das verdejantes florestas tropicais, rios transparentes e esplendorosas aves tropicais, o número de visitantes que chegam a cada ano da Europa, Japão e da América do Norte saltou de 200.000 para 1 milhão. Muitos deles vieram visitar os extraordinários parques nacionais e reservas que compõem cerca de um quarto de sua área total. O ecoturismo tornou-se uma das maiores fontes de divisas da Costa Rica. (3)

No Quênia e na Tanzânia, também, o ecoturismo no estilo de safári tornou-se uma fonte principal de receita. Em 1995, o Serviço de Vida Silvestre do Quênia [Kenya Wildlife Service] calculou que o turismo, 80 % do qual se concentrava na observação da vida silvestre, representava um terço das divisas do país. Outros países para os quais o turismo da natureza proporciona receita em divisas de que muito necessitam, incluem a África do Sul, Botswana, Belize, Zâmbia, Equador e Indonésia. Nos Estados Unidos, um grupo denominado Conselho de Obras Turísticas para a América [TourismWorks for América Council] estimou que, em 1996, as áreas do Serviço de Parques Nacionais atraiu US$ 14,2 bilhões para as comunidades locais e gerou cerca de 300.000 empregos relacionados ao turismo. (3)

Em 1999, o Observatório de Aves do Cabo May firmou um acordo com os Reas para arrendar direitos de observação para a propriedade, pagando o arrendamento com os recursos advindo da venda de licenças para os visitantes. Atualmente, cada primavera e outono eles acolhem inúmeros turistas. A fazenda atrai fascinantes pássaros migrantes, inclusive o quase nunca visto warbler de Connecticut e três dúzias de outras espécies de pássaros canoros. (3)

"Certamente, o precedente existiu" declara Pete Dunne, Vice-Presidente da New Jersey Audubon Society, que ajudou os Reas a organizar e gerir o programa. "Os caçadores estão fazendo isto há anos. Não vimos porque não ampliá-lo para a observação de pássaros como um meio de mostrar que os birders estão certamente prontos para pagar pelo seu passatempo – e como um meio de aliviar as pressões imobiliárias. "A maioria dos fazendeiros querem conservar suas propriedades," diz Dunne. "Neste caso, os birders são simplesmente uma outra "lavoura" comercial. Você não tem de molhá-los, fertilizá-los, ou ará-los, e além de tudo, eles vêm para suas fazendas e compram seus produtos." (3)

O turismo de observação de aves tem grande potencial de retorno financeiro para comunidades receptivas, para melhorar economia e meio ambiente local, educar comunidade para o valor da biodiversidade e criar incentivos para sucesso da proteção ambiental de áreas naturais. Falta criar mecanismos para crescimento desta contribuição no Brasil.


SEU PAPEL NA CONSERVAÇÃO AMBIENTAL

As aves têm papel importante na natureza, atuando de forma decisiva nos processos ecológicos, disseminando sementes, polinizando flores, garantindo assim, as condições naturais adequadas à manutenção da biodiversidade. Regulam de forma natural as populações de insetos (reduzindo a proliferação de doenças causadas por eles), de répteis, de artrópodes e de outros animais. Também contribuem para a melhoria de vida, encantando-nos com suas belas cores e bonitos cantos. Geram emprego e renda em países como a Inglaterra, Estados Unidos da América, Alemanha, Costa Rica, Colômbia e outros, através do turismo de observação de aves, Birding ou Birdwatching como é mais conhecido. (1)

Esse interesse crescente em observar representa mais do que um aumento em reservas de hotéis e vendas de binóculos. Notícias sobre extinções iminentes, por exemplo, não desperta apenas curiosidade, mas – freqüentemente – preocupação profunda. A preocupação pode levar à participação em atividades para salvar habitats e espécies, e para um tipo de observação mais bem-informada e organizada – criando um ciclo de realimentação que proporciona ainda mais intensidade à observação. Um dos resultados foi o aumento de um tipo de ciência cidadã, na qual milhares de observadores colecionam espécies avistadas não apenas como um passatempo, mas sim como uma coleta de dados para um ramo muito importante da ciência. (3)

Na Grã-Bretanha, por exemplo, o Censo de Aves Comuns [Common Birds Census], criado em 1970 e realizado principalmente por voluntários, ajudou à criação de um registro de populações de aves. O censo constatou quedas dramáticas nas populações de aves, antes abundantes em áreas rurais, cujo declínio está sendo atribuído à destruição de cercas vivas e aumento do uso de agrotóxicos, como também práticas de colheita que destruem ninhos e habitats durante a época de procriação. (3)

Entre 1970 e 1998, por exemplo, o Censo de Aves Comuns constatou declínios de 82 % nos números de perdizes cinza, de 55 % nas populações de tordos canoros (sabiá) e 52 % nas cotovias. Um dos mais antigos programas da ciência cidadã é o Christmas Bird Count [Contagem de Aves no Natal], patrocinado pela National Audubon Society e já no seu centésimo ano. Mais de 50.000 birders voluntários participaram em dezembro de 1999 e janeiro de 2000, pesquisando as regiões de inverno de várias aves norte-americanas.Outro projeto já bem estabelecido é a Pesquisa de Aves Procriadoras [Breeding Bird Survey] da U.S. Geological Survey, que teve início em 1966. Voluntários percorrem 3.000 rotas rodoviárias anualmente, realizando a contagem de aves canoras e procriadoras nos Estados Unidos e Canadá. Levantamentos semelhantes são realizados localmente em vários estados americanos e na Espanha, Grã-Bretanha e Austrália. (3)

O Festival Mundial de Observação de Aves ocorre durante o mês de Outubro. A iniciativa, promovida anualmente pela organização BirdLife International e pelas associações suas parceiras, tem como objetivo dar a conhecer a ornitologia - ciência que estuda as aves - junto do público em geral e alertar para os problemas ambientais. Um dos objetivos do evento é chamar a atenção para a necessidade da conservação de áreas naturais importantes do ponto de vista ornitológico. No final, as informações recolhidas durante as atividades são compiladas e enviadas para as bases de dados internacionais. Posteriormente, são divulgadas para todas as associações que participam. (3)

Toda essa contagem de outras espécies poderá vir a ajudar outras mudanças em direção à sustentabilidade da própria vida humana, contribuindo para as políticas básicas que regem o uso do solo, proteção de habitats, etc. O Censo de Aves Comuns influenciou o governo britânico, por exemplo, para a alteração de práticas agrícolas nacionais como o estabelecimento de épocas de colheita que não coincidam com os períodos de reprodução. (3)

O aumento acelerado da população humana provoca a necessidade de ocupação de novas áreas e utilização de mais recursos ocasionando a perda de áreas naturais, o que submete a avifauna a um maior perigo (Andrade, 1997b). (2)


IMPACTOS NEGATIVOS PARA A AVIFAUNA

Entretanto, isto nem sempre representa boas notícias para as comunidades e ecossistemas locais. Os benefícios do ecoturismo – econômicos, ecológicos e educacionais – podem ser neutralizados por todo o tipo de malefícios. Pessoas ávidas para ver espécies carismáticas podem atropelar as menos conspícuas; a construção de hotéis para turistas destrói grandes fatias dos próprios ecossistemas que vêm visitar; e as trilhas naturais e estradas abertas para jipes que as utilizam causam a fragmentação cada vez maior do que resta. (3)

Alguns questionamentos foram feitos a esta prática nos Estados Unidos. Um deles era de que o ajuntamento de aves no "jardim" poderia propiciar a transmissão de doenças entre elas, causando epidemias. Alguns relataram terem encontrado aves mortas próximo de suas casas. Uma investigação demonstrou que aves doentes por outros motivos e velhas, tendiam a ficarem por perto destas fontes de alimento, acabando por morrerem ali. Outra dúvida era de que poleiros e outros pousos metálicos no inverno poderiam congelar os pés das aves. Pesquisas em laboratório demonstraram que isto não acontece. Questionou-se também que as aves se acostumam com a fonte fácil de alimentos e caso esta oferta fosse interrompida abruptamente, as aves poderiam morrer antes de descobrir outras fontes. Em países com invernos rigorosos esta é uma preocupação real. Acredita-se que algumas aves deixam de migrar pelo fato de disporem destas fontes extras de alimento. Recomendam que caso alguém tenha que interromper o fornecimento de alimentos que o faça de forma gradativa, dando tempo para as aves acharem outras fontes. Em nosso meio o naturalista Augusto Ruschi, estudioso de beija-flores e fundador do Museu Mello-Leitão, do Espirito Santo, divulgou a idéia de que bebedouros para beija-flores poderiam causar candidíase na boca destas aves. Entretanto, até hoje não há nenhum trabalho científico comprovando isto e como a Candida albicans é um fungo naturalmente presente em muitos lugares, inclusive na boca de seres humanos e certamente também dos beija-flores, os casos encontrados por Ruschi com certeza se tratavam de aves com uma imunodeficiência por algum motivo. De qualquer forma é prática generalizada a recomendação de que os bebedouros sejam bem lavados com bastante frequência, de preferência diariamente. Fontes de água para as aves deverão ser instaladas com grandes cuidados pelo fato de poderem ser criadouros do mosquito Aedes aetypti, transmissor da dengue e da febre amarela. Outro problema, também evitável, é nas casas onde existem grandes vidraças. Por refletirem o espaço externo, as aves se confundem e colidem com o vidro, acidentando-se e muitas vezes morrendo. A solução encontrada é colar figuras de falcões nestes vidros. Por serem predadores de pássaros menores, estes, ao vê-los, desviam suas rotas de vôo. (4)


OS LUGARES MAIS REQUISITADOS PARA ESTA PRÁTICA NO BRASIL

As alternativas de viagens para observação de pássaros, antes restritas à Amazônia e ao Pantanal, voam rumo ao Sul, Nordeste e Região Serrana fluminense. De Santa Catarina a Pernambuco, passando por Teresópolis e Bahia, o ninho fértil da exploração do orniturismo atrai cada vez mais brasileiros. Para a atividade, são indispensáveis paciência e binóculos. Ainda pouco difundida no país, a prática traz grupos de estrangeiros ao Brasil, que abriga o terceiro maior contingente de aves do planeta, perdendo apenas para Colômbia e Peru. (7)

AMÉRICA CENTRAL
- Panamá
- Costa Rica
- Beliz

AMÉRICA DO SUL
- Bolívia
- Equador
- Peru (PN Manu)
- Trinidad & Tobago
- Galápagos

BRASIL
- Amazonas (Manaus, Caxiuana, Mamirauá, Rio Javari
- Mato Grosso (Alta Floresta, PN Chapada dos Guimarães, Serra das Araras, Pantanal)
- Mato Grosso do Sul (Pantanal)
- Goiás (PN das Emas)
- Rio de Janeiro (PN Itatiaia)
- Nordeste (PI, CE, PE, BA e AL)


AMAZÔNIA

Observar aves na maior floresta tropical do planeta vem merecendo a atenção de muita gente em todo o mundo. Graças à sua biodiversidade, o Amazonas garante uma posição de destaque entre os destinos mais procurados por cientistas, turistas, ecologistas e pelo público em geral. Não é para menos. Das 9.700 espécies de aves já catalogadas no mundo, aproximadamente 3.100 estão na América do Sul. Destas, mais de 1.600 espécies estão no Brasil e cerca de 700 no Estado do Amazonas, o que corresponde a 41,8% deste total. A localização na região dos trópicos confere ao Amazonas uma posição estratégica para pássaros dos hemisférios norte e sul. (8)

Há tempos ícones internacionais para a prática de observação de pássaros, o Pantanal e a Região Amazônica seguem investindo no setor. O Ariaú Amazon Towers, em plena selva, leva os hóspedes para passeios em que a observação de pássaros é um dos pontos altos da diversão. Os visitantes são orientados por guias bilíngües no programa que ainda conta, em geral, com o festival de cores do Sol poente ou nascente. (7)

Na própria cidade de Manaus é possível acompanhar as aves em locais como o Jardim Botânico Adolfo Ducke, o Bosque da Ciência, o Parque do Mindu, na Vila de Puraquequara e na Escola Agrícola Federal de Manaus, no Distrito Industrial, entre outros. (7)

Paraíso de ornitólogos, a cidade de Presidente Figueiredo fica a 130 quilômetros de Manaus e possui dois observatórios. Para complementar o programa ecológico, surgem cachoeiras, cavernas (a das Araras é uma das mais procuradas) e sítios arqueológicos. Acompanhamento de guias são fundamentais para qualquer um dos passeios. (7)

RIO DE JANEIRO

No princípio do ano, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Teresópolis, ganhou uma trilha suspensa de 600 metros, toda em madeira, que permite a observação dos pássaros na copa das árvores. A avifauna da região é rica, reunindo diversas espécies ameaçadas. Entre as que correm mais risco de extinção, figuram o papagaio-de-peito-roxo, a jacutinga e o bicudo. Em Araras, distrito de Petrópolis, a Passaredo Pousada explora a fartura de aves nos arredores para organizar o programa. Destaque para os exemplares de joão-de-barro, canário-da-terra, tié-sangue e ferro velho, que carrega nas penas um mosaico com as cores da bandeira do Brasil. (7)

Outro local prodigioso para a atividade é o Parque Nacional de Itatiaia, a 180 quilômetros do Rio. Cerca de 300 variedades de espécies - algumas raras como o beija-flor-papo-de-fogo, o topetinho-vermelho, o arapaçu-verde e o capitão-de-saíra - encontram refúgio no primeiro parque nacional criado no país, em 1937. No Museu da Fauna e da Flora há algumas aves empalhadas. Estas não exigem paciência; tampouco, binóculos. (7)

BAHIA

Na Bahia, o Praia do Forte Ecoresort, ao Norte de Salvador, oferece uma equipe de biólogos que leva os hóspedes a campo para apreciação da aves do local. São duas possibilidades: a primeira leva à Lagoa do Timeantube; a segunda remete à área verde do próprio hotel, com paradas em pontos estratégicos de observação. (7)


PERNAMBUCO

Pernambuco surge neste cenário com o Vale do Catimbau, onde foi criado um parque nacional, nos municípios de Buíque, Ibimirim, Inajá e Tupanatinga, no agreste do Estado. Bonito, também em Pernambuco, é outro destino pródigo para os amantes das aves. Existe até uma operadora de turismo que leva grupos em viagens de cinco dias a estas localidades. A Mangaio Ateliê de Turismo, em Recife, também organiza excursões para o Cabo de Santo Agostinho e para o Refúgio Ecológico Carnijó, em Moreno, com o propósito de observar pássaros. Os guias são ornitólogos e biólogos bilíngües. A empresa ainda oferece uma lista com as aves que poderão ser vistas na excursão, o que facilita a identificação e traz referências dos animais. (7)

PANTANAL

Habitat de pelo menos 650 espécies (número catalogado) e região de mata favorável ao "esporte" (nem muito baixa, nem muito alta), o Pantanal tem sido muito procurado para essa atividade nos últimos anos. Além da facilidade para visualizar os pássaros, o ecossistema possui muitas aves grandes e coloridas e outras tantas pouco conhecidas. Os tipos de aves que aparecem mais na região também variam com a época do ano. (9)

De novembro a março, ocorre o período das cheias - quando o rio Paraguai e afluentes inundam parte da planície. Nessa época, os mamíferos costumam ser raros, mas pássaros aparecem em abundância. Muitas espécies estão ativas durante o ano todo e há as noturnas. A vazante, em março, abril e maio, é boa época para ver todos os tipos de animais. Já na seca, que ocorre nos meses seguintes, os mamíferos são menos raros. (9)

Por esta abundância, facilidade de observação de fauna e melhoria de sua infraestrutura receptiva, o Pantanal tem sido uma das regiões mais procuradas pelos praticantes desta atividade. No entanto, o número de profissionais capacitados para guiar este público especializado é quase inexistente no Estado, limitando-se a alguns guias de campo das fazendas e poucos pesquisadores. (9)

O Refúgio Ecológico Caiman brinda os turistas com safáris fotográficos e passeios de barco que saem à caça de animais. Os pássaros se destacam: além das formas e cores fascinantes, aprecia-se o som que vem das matas. Brinca-se de adivinhar de qual ave é determinado canto. Biólogos conduzem aos segredos de cada espécie. Especialistas ajudam a identificar e apreciar melhor as aves. (9)


A INFRAESTRUTURA BÁSICA NECESSÁRIA PARA ESTE TIPO DE TURISTA

- pacote básico – transporte, guia ornitólogo, café da manhã, lanche de trilha, jantar, hospedagem, birdlist da área, seguro viagem

- Pacotes variando de 1000 a 5000 dólares, dependendo do tempo e infra da viagem

Operador – seleção de regiões com bom potencial para observação de avifauna, com infraestrutura adequada, fácil acesso e segurança

Hospedagem – instalada em locais próximos às áreas para a atividade, facilidades (livros, listas locais, equipamentos para locação, etc). Muitos hotéis e pousadas no Brasil têm seus próprios guias e monitores – REC Caiman

Guia especializado – conhecimento das melhores trilhas e locais para observação, bom conhecimento da avifauna local, ética e procedimentos condizentes

Guia ornitólogo – especialista em alto nível. Diária de guias ornitólogos – 120 a 200 dólares por dia, média 150. (maioria estrangeiro que vem com o grupo – inglês). Guia com bons conhecimentos – 100 a 150 reais por dia

- Internet – referências completas sobre operadoras, hotéis especializados, guias ornitólogos, etc. Palavra mágica: birdwatching


COMPROMISSO AMBIENTAL DOS OPERADORES

Infelizmente, quase sempre é difícil para um grupo de viajantes saber se seus operadores turísticos são "verdes" ou estão simplesmente indo atrás do verde. "Precisamos [ter] alguma espécie de padrão ético passível de revisão "declara Megan Epler Wood, presidente da Ecotourim Society, com base em Vermont. A Ecotourism Society define o ecoturismo como "excursão responsável para áreas naturais que preservam o ambiente e sustentam o bem-estar dos habitantes locais". Porém, não existe atualmente padrão global ou processo de certificação para a operação do turismo, embora a Costa Rica e a Austrália tenham agora padrões de qualificação específicos para o ecoturismo e estão sendo envidados esforços para sua implementação no Quênia. (3)

Resumindo, se cuidadosamente gerido o turismo da natureza proporciona grandes benefícios para o meio-ambiente. Os observadores da vida silvestre, uma clientela em geral afluente e com bom nível de instrução, estão dispostos a pagar pela observação – e seu poderio econômico favorece a proteção dos lugares onde gostam de fazê-la. Uma pesquisa de 1995 pela Travel Industry Association of América constatou que 83 % dos turistas americanos estão dispostos a darem apoio às agências de viagens "verdes" e a gastar, em media, 6,2 % mais por serviços e produtos de viagem fornecidos pelas agências ambientalmente responsáveis. (3)


MATERIAL NECESSÁRIO PARA ESTUDO E OBSERVAÇÃO DE AVES

Para se tornar um guia especializado em observação de aves, ou ainda um guia ornitólogo, é preciso muita dedicação, paciência, e acima de tudo, muito estudo e pesquisa. Inicialmente procure conhecer as aves de sua região, aumentando pouco a pouco a experiência.

A melhor forma de iniciar um aprendizado na observação de aves é associar-se a alguma entidade de observadores. O contato com pessoas experientes abrevia muito o aprendizado. Em São Paulo existe o Centro de Estudos Ornitológicos e em diversas outras capitais e cidades há núcleos do Clube de Observadores de Aves. (4)

A observação e reconhecimento das espécies de aves pode ser feita em grande parte pela sua simples visualização e escuta. Prova disto é que muitos moradores das áreas rurais são grandes conhecedores das aves de sua região. Mas o uso de diversos equipamentos poderá ser muito útil. Tudo dependerá do maior ou menor interesse pela observação e aprofundamento em suas técnicas. Há os que se contentam simplesmente em observar aves que frequentam seus jardins e quintais. Outros aproveitam viagens ou passeios em clubes de campo, sítios e fazendas para observarem as aves. Por fim, há aqueles que transformam a observação de aves em verdadeiros hobbies, dedicando grande parte de seu tempo nesta atividade. Alguns se destacam tanto no conhecimento das aves e da ornitologia que podem ser chamados de ornitólogos amadores ou auto-didatas, podendo dar grandes contribuições a esta ciência, mesmo não tendo se formado em biologia ou ciências afins. A intensa participação de leigos na prática da observação de aves levou um ornitólogo norte-americano a definir a ornitologia como "uma curiosa mistura de um passatempo popular com uma ciência precisa". (4)

Entre os equipamentos comumente usados pelos observadores destaca-se naturalmente o binóculo. Permitindo observar a ave de perto, e visualizar detalhes de sua plumagem, o binóculo ajuda extraordinariamente na identificação da espécie que está sendo observada. Ao contrário do que muitos pensam, os melhores binóculos para observação de aves não são os com maiores aumentos. Aumentos muito grandes, acima de 10 ou 12X, dificultam a focalização da ave e ficam trêmulos em nossas mãos. O ideal para esta atividade são binóculos com aumentos entre 7 e 10X. Outras qualidades importantes do binóculo são sua leveza e luminosidade. Para observação de aves que permanecem pousadas a grande distância, não deixando que nos aproximemos delas, como gaviões, o ideal é usar uma luneta com tripé, com aumentos variando de 20 a 60X. (4)

O observador de aves experiente reconhece em campo a maior parte das espécies pela sua vocalização (a vocalização refere-se a todas as expressões vocais da ave, que podem ser cantos, pios, chamados, gritos de alarme, etc). Este recurso é de extrema utilidade no caso de alguns grupos de aves em que as espécies são muito parecidas entre si, por este motivo chamadas de "espécies gêmeas" ou espécies crípticas. Felizmente nestes casos suas vozes costumam ser bastante distintas. (4)

EQUIPAMENTOS DE CAMPO

- Binóculo de aumentos entre 8 a 10 vezes;
- Caderneta de anotação;
- Guia de Campo - é um livro que contém informações técnicas, descrição e ilustrações coloridas das aves que ocorrem em determinada região ou país;
- Gravadores equipados com parábolas (pequenas "antenas parabólicas" portáteis, destinadas a concentrar o som no microfone) ou microfones direcionais (gravam apenas o som proveniente de um ponto, eliminando o som ambiental) - play-back., tocadores portáteis de CD;
- Vestimenta deve ser discreta, tons de verde ou marrom;
- Máquina fotográfica, filmadora e tripé;
- GPS para marcar as coordenadas exatas dos pontos visitados;
- Trena, paquímetro, pequena balança científica, para fazer medidas de ninhos e ovos e a biometria de aves;
- Rede de neblina ("mist net"), para a captura de aves, anéis de tamanhos diversos, alicates, etc, para os trabalhos de anilhamento de aves;
- Cordas para escalar, bota de borracha para vadear riachos e entrar em áreas encharcadas, facão;
- Repelentes de insetos;
- Blind - que é uma pequena barraca suficiente apenas para uma ou duas pessoas se esconderem nela e observarem as aves por pequenas aberturas;
- Boné para evitar luz sobre os olhos, melhorando a luminosidade do binóculo;
- Lanternas possantes para passeios noturnos;
- Fitas coloridas impermeáveis para marcar pontos na mata;
- Relógio com cronômetro;
- Uma boa "espaçonave".


CÓDIGO DE ÉTICA DO OBSERVADOR DE AVES

Traduzido e adaptado do The American Birding Association’s Code of Birding Ethics (http://americanbirding.org), por Dagoberto Pinheiro das Chagas

1. Promova o bem estar das aves e de seu ambiente;

a) apoiando a proteção de habitat importante para as aves;
b) evitando estressar ou expor as aves ao perigo, comportando-se de forma cuidadosa quando em atividade de observação, fotografia, gravação sonora ou filmagem;
c) limitando a utilização de gravações ou outros métodos de atração de aves; nunca usando esses métodos em áreas intensamente utilizadas para observação ou para atrair espécies ameaçadas, em perigo de extinção ou, ainda, de ocorrência rara ou restrita no local;
d) mantendo a distância adequada de ninhos, colônias de nidificação, dormitórios, arenas de exibição ou locais importantes de alimentação. Nestas áreas sensíveis, se for indispensável uma observação demorada, filmagem, fotografia ou gravação sonora, tente usar um anteparo ou esconderijo, tirando proveito da cobertura natural;
e) utilizando com moderação luz artificial ou flash, especialmente para tomadas de curta distância;

2. Antes de comunicar a ocorrência de uma ave rara, avalie o potencial de perturbação para a ave, para o ambiente e para as pessoas naquela localidade e somente prossiga se o acesso à região puder ser controlado, a perturbação minimizada e, se for o caso, tiver sido obtida a permissão do proprietário da área. Os locais de nidificação de aves raras só devem ser divulgados às autoridades competentes

3. Permaneça nas estradas, trilhas e caminhos onde existirem, em caso contrário, procure reduzir ao mínimo a perturbação ao habitat;


4. Respeite as leis e o direito alheio;

a) não penetrando em propriedade privada sem autorização explícita do proprietário;
b) seguindo todas as leis, normas e regulamentos relativos ao uso de estradas e áreas públicas, tanto em seu país quanto fora dele;
c) sendo cortês em contato com as pessoas. Seu comportamento exemplar gerará boa vontade tanto em relação a outros observadores de aves, quanto às demais pessoas;

5. Assegure-se que os alimentadores, as caixas de nidificação e outros ambientes artificiais para as aves sejam seguros

a) mantendo os comedouros, os bebedouros, a água e os alimentos livres de impurezas, deterioração ou doenças;
b) limpando e efetuando manutenção regularmente das caixas de nidificação ou ninhos artificiais;
c) cuidando para que as aves não estejam expostas à predação por animais domésticos e outros riscos artificialmente criados, caso esteja atraindo aves em uma determinada área;

6. Observação de aves em Grupo, organizado ou não, requer cuidados suplementares. Cada participante do Grupo, além das obrigações referidas nos itens 1 a 5 antes mencionados, tem responsabilidades como integrante de um Grupo;

a) devendo respeitar os interesses, direitos e habilidades dos demais membros do Grupo, bem como de outras pessoas que estejam praticando esportes ao ar livre;
b) dividindo generosamente seu conhecimento e habilidade com os demais integrantes do Grupo – com as cautelas previstas no item 2 acima – com especial atenção e dedicação aos iniciantes;
c) na hipótese de identificar um comportamento pouco ético de um observador, após avaliar a situação e se achar aconselhável, oferecer a adequada orientação no sentido de fazer cessar a ação imprópria. Se, entretanto, não obtiver êxito, registre o fato e comunique às pessoas e autoridades competentes.

7. Caso seja Líder ou Guia de Grupo, amador ou profissional, esteja ciente de suas responsabilidades adicionais:

a) sendo um exemplo de comportamento ético, ensinando através da palavra e da conduta;
b) formando o Grupo com a quantidade de participantes que limite o impacto ao ambiente e que não interfira com outros utilizando a mesma área;
c) assegurando-se que todos os participantes do Grupo conheçam e pratiquem as regras deste código;
d) identificando e informando ao Grupo sobre qualquer circunstância especial aplicável ao local que está sendo visitado, como, por exemplo, a proibição de utilização de gravadores sonoros.
e) reconhecendo que empresas de turismo têm a obrigação de colocar o interesse do público e o bem estar das aves acima de seus objetivos comerciais;
f) mantendo registro das observações realizadas e documentando ocorrências incomuns para submeter ao conhecimento de organizações apropriadas.

Traduzido e adaptado do The American Birding Association’s Code of Birding Ethics (http://americanbirding.org), por Dagoberto Pinheiro das Chagas


CITAÇÕES DO TEXTO

(1) Omena Juniror, Reyner, 2003 – Como observar aves silvestres. www.birding.com.br

(2) Grupo de Observadores de Aves de Uberlândia – GOA – 2003. Observação de Aves. http://www.geocities.com/aves_udia. Uberlândia, MG.

(3) Yourth, Howard, 2001. Observando x caçando. revista WORLD WATCH, WWI-Worldwatch Institute / UMA-Universidade Livre da Mata Atlântica. www.wwiuma.org.br

(4) Figueiredo, Luiz Fernando, 2003. A observação de aves. Centro de Estudos Ornitológicos, http://www.ib.usp.br/ceo

(5) Mourão, Roberto M. F., 1999. Observação de Aves. Caderno de Subsídios Observação de Aves, Ibama, in Manual Melhores Práticas para o Ecoturismo, Funbio, 2001, Rio de Janeiro, RJ.

(6) Lajolo, Mariana, 2003. Nos EUA, 70 milhões se dedicam à atividade de "bird watching". Jornal Folha de São Paulo, 21/abr/2003, São Paulo, SP.

(7) Jornal do Brasil, 10/nov/2002. Olha o passarinho. Rio de Janeiro, RJ.

(8) Omena Juniror, Reyner, 2003 – Observação de Pássaros. Manaustour, Manaus, AM.

(9) LAJOLO, MARIANA, 2003. Pantanal faz a alegria dos "bird watchers". Jornal Folha de São Paulo, 21/abr/2003, São Paulo, SP.

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